«Boto ela no carro e mato, se ela votar no PT.»
Essa foi a resposta que escutei dias atrás. Da boca raivosa de uma pessoa que sugeriu assassinar uma mulher empobrecida, sem dinheiro. Um ser humano, empobrecido, que somente queria carona pra votar em Barcelona.

Recentemente, determinada denominação religiosa na Espanha anunciou, durante o seu culto, contratar ônibus para transportar famílias vulnerabilizadas ao seu local de votação. Com a condição, imposta, de votar no candidato fascista. Houve denúncia e o crime não se realizou.
Há que separar Solidariedade de Crime Eleitoral. Temos que denunciar e condenar esse crime do voto comprado ou ameaçado. Diferente daquilo que sempre conhecemos como Carona e Hospedagem Solidária.
Não se obriga ninguém a votar em nenhum candidato. É crime. E tem que ser punido severamente, nos termos da lei brasileira vigente: a lei eleitoral.

A palavra que diferencia uma prática, ética e legítima, da outra, comprada ou forçada, é Consciência.
Algo que o fascismo odeia.
Consciência! Contrária àquela hipocrisia pregada pelo fanático líder religioso: fazer o bem sem olhar a quem.
Consciência, ao respeitar o voto secreto. A pessoa, afinal, tem a primeira e a última palavra sobre em quem ela vai votar, sozinha, na urna. Será somente ela e a sua própria consciência.
Consciência ao ser solidário com quem não dispõe de privilégios, como alguns de nós possuímos. Direito é o que é para todos. Privilégio é o que só é para alguns.
Jamais será crime ajudar a quem mais precisa. É o que fazem os governos, associações, ONGs e lideranças honestas e éticas. Os mais vulneráveis devem ser protegidos por lei. Devem sentir-se livres do risco de pessoas inescrupulosas se aproveitarem desta sua precária situação.

Solidariedade! É o que eu mesmo posso fazer e farei: ajudando também as pessoas sem dinheiro a exercer o seu legítimo direito constitucional de votar. Porque, senão, só os mais ricos conseguirão chegar até a urna. E se essas pessoas, as mais empobrecidas, não conseguirem chegar até a urna, como querem os fascistas, as políticas de exclusão dos mais pobres seguirão o seu nefasto rumo de exclusão social.

Diferentemente do Brasil, onde há urna eleitoral em quase cada esquina, no exterior, é ainda mais complicado. Faz anos que as comunidades de brasileiros migrantes denunciam a injustiça: ter que se deslocar 6 horas de transporte público ou pagar um avião caríssimo (140 euros?!) Para garantir o seu direito de votar.
Muito esforço, ainda pouco reconhecido. Somos mais de 6 milhões de pessoas brasileiras no exterior.
Veja isso:
«Neste 1º turno, 6 em cada 10 brasileiros aptos a votar no exterior não votaram. No Brasil foram 2 em cada 10. Grande parte disso é distância: fora do Brasil só existem 168 locais de votação, e na França são só dois, Paris e Marselha. Quem mora em Montpellier, por exemplo, gasta uns 100 euros de trem e passa o dia inteiro entre ida, fila e volta. Por isso eu criei o https://votolafora.com.br. É um mural que conecta quem tem uma vaga no carro ou um lugar para dormir com quem precisa chegar à seção no dia 25.»

Diversas análises políticas mencionam a nossa importância na hora de decidir esta eleição presidencial.
Sem contar o preço de descontar um dia de salário (num domingo de eleição). Pois a maioria trabalha em restaurantes e hotéis, numa pesada escala de 6 ou 7 dias trabalhados, por somente 1 dia de descanso.
Por isso, é crescente a onda solidária de migrantes brasileiros no exterior. Pessoas que oferecem também alojamento solidário nas suas próprias casas. Pois vir de muito longe pra votar em Barcelona, uma das cidades com hospedagem mais cara da Europa, pode consumir até 20% do salário mínimo espanhol.
Felizmente, hoje nós temos dezenas de pessoas selecionadas, éticas, conscientes, disponibilizando a sua casa e o seu carro. Nessa imensa corrente humana de solidariedade.
Se você precisar de algo, fale com a gente.
Sempre pautados pela ética e pela honestidade.
Esse é o nosso projeto de sociedade e de país.
Antifascismo é Lula, é 13.
Pra completar, apresento uma breve lista comparativa entre a diferença de Lula e Bolsonazi pra gente aqui no exterior.
Lula baixou o preço do passaporte pela metade, trouxe pro exterior o Enceja, o FGTS, o aplicativo .gov, a convalidação da CNH, acordos de previdência, apoio para traslados de falecidos, atendimento psicológico e contra violência machista, e dignidade nos aviões da FAB que trouxeram os deportados de Trump. Além da melhor projeção positiva na geopolítica, que nos ajuda muito aqui fora do Brasil.
Bolsonazi fez todo o contrário, apoiou as deportaçoes de Trump, extinguiu o nosso conselho de representantes no exterior, cultivou o machismo, virou vergonha mundial, ameaçou o PIX e a soberania nacional.
Na semana passada o candidato miliciano, amigão do Banco Master, anunciou recortes no serviço exterior brasileiro (fechar consulados?) e partidarizar o Itamaraty, indicando amigos e parentes para substituir diplomatas de carreira.



